
Era uma vez um forno muito escondido, um forno sujo de pizza, um forno feito de tijolos e cimentos, desenhado por mãos humanas, um forno feito de coisas sem sentimentos, coisas inanimadas, um forno feito de coisas frias, um forno que sentia, um forno que queria, um forno que tinha um sonho, queria ser qualquer coisa que não fosse um forno de pizza sujo, um forno que queria ser qualquer coisa, qualquer coisa, ele não sabia o que queria ser, por que não coisa muita coisa, um forno que conhecia apenas, pizzas, lenha e fogo, e essas coisas ele não queria ser.
Passava seus dias de forno sujo, pensando no que poderia ser, mas como poderia saber se nunca sabia, nunca sabia, era um forno não uma pizza que ia de boca em boca.
De uns tempos para cá ele vinha pensando mais do que o normal, muito mais do que o normal, até que ele tomou conciência de que pensava, e que se ele pensava havia deixado de ser apenas um forno, afinal, o forno que morava ao seu lado não demonstrava a menor inteligência.
Era estranho, pensava ele, afinal sou um forno e um forno e uma coisa inanimada. O coitado do forno estava entrando em crise. Era ou não era um forno.
Um dia resolveu que já que conseguia pensar talvez conseguisse sair dali e descobri o que queria ser.
Coitado do forno sujo, sua situação mais parecia a história do Pinoquio batida com a da cinderela.
Ele não sabia dizer ao certo a quanto tempo tinha adquirido consciência.
Era um forno de pizza muito sujo e com problemas de identidade.
Matutava o coitado, o coitado matutava e matutava sem matutar.
Foi num desses dias meio distantes, meio quentes, meio comuns, foi num desses dias diários.
Foi num desses dias que o forno nasceu, ou melhor se dividiu em dois, o seu outro eu estava com tanta dó do seus outro eu, que tomou partido e se emancipou.
Se havia alguém naquele momento, esse alguém viu primeiro dois olhos grandes brilhando em meio a fuligem suja, dois olhos piscantes verdes, depois um nariz pontudo como se fosse parte de mascára delarte.
Esse outro forno ouviu um barulho e se escondeu nas sombras, queria sair mais tinha medo, ficou agachado segurando as pernas e mirando seus olhos brilhantes em qualquer ponto sem importância, a noite foi se esgueirando entre os parcos raios solares, fois se espalhando até que a única luz visivel fosse a do poste no meio da rua. O movimento foi acabando...
Quando se sentiu seguro, pós um pé calçado com sapatos de salto para fora da boca do forno sujo, logo haviam dois sapatos de salto ligados a um par de pernas longilíneas. Suas perninhas ficaram balançando no ar, até que suas mãos impulsionaram seu corpo magro para fora dali. De um pulo chegou ao chão, ficou agachado perscrutando a escuridão.
Deu um beijo no seu outro eu, sussurrou algo e esticou as canelas rumo ao nada.
Ao chegar na rua parou, sentou no meio fio e rapassou sua missão. Deveria descobrir no que queria ser e depois, havia o mais importante devia descobrir como se transformar nela ou nele.
O céu estava sem lua ou estrelas, havia nuvens cinzas por aqui e por ali.
Esticou os braços, espreguiçando e mecheu os dedos.
Antes de seguir adiante, deu uma última olhada no forna e foi-se para a terra de ninguém.
O dia em que nos encontramos no bar, ele parecia confuso, meio distante, custei para perceber que ele era um forno, não que eu seja cega, mas acontece que ele não tinha a aparência de um forno. Foi só depois de muito tempo que ele revelou que era um forno. Foi por essa razão que eu não percebia.
Era um forno de pizza muito sujo e com problemas de identidade.
O bar estava vazio, era uma dessas espeluncas de esquina, onde somente bebâdos com mulhers feias iam, também por ali passavam moscas gordas e feias.
Não sei dizer a data exata do nosso encontro peculiar, só lembro que o tal bar estava vazio, mais vazio do que o normal, talvez estava naquela situação devido ao fato de meu "amigo" forno estar ali bebendo uma cerveja preta.

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