Seu destino e o meu foi selado de forma dramática, o pacto de sangue foi feito e sacramentado.
Quando o morcego vermelho fugir de suas costas tudo estará terminado.
O destino de um só, o destino de um homem sozinho é traçado quando ele essa vida escolhe.
Você a esta vida escolheu, não eu.
Ou será que foi o contrario?
Agora isso já não me importa mais, para falar a verdade nunca me importou.
Aquele dia ao por do sol sobre as areias da praia, seus olhos de encontro ao horizonte, os meus perscrutavam a sua jugular. Qualquer alteração de seus batimentos cardíacos, por mim seria notado. E se tal coisa acontecesse tua vida seria ceifada por minhas mãos.
Você se manteve inabalável, nenhuma alteração, seria tudo uma mentira bem controlada?
Agora já não faz diferença.
Nenhum sinal de fraqueza.
Fomos muito bem treinados, torturados e ameaçados. Talvez tenha sido isso que me deixou assim. Talvez tenha sido você.
Dentro desse círculo de sal assinamos nosso nome no livro. Livro esse escrito pelo finito, ilustrado pelo vácuo assinado pelo nada infinito.
As velas que iluminam nossas feições, são as mesmas daquele dia de tempestade.
A taça com o nosso sangue foi feita com a areia derretida pelo raio da sua insensatez .
Seus lábios fazem sinuosas curvas em uma prece silenciosa.
O sal que dá forma ao círculo, pertence as minhas entranhas. Pari um ser de sal. Que ao te ver se desfez em pó.
Eu posso ver as luzes de néon que nomeia esse hotel barato em que nos encontramos. A letra do meio está queimada e a última insiste em piscar, Quem sabe se eu jogar meu sapato de salto ela sossega.
Você está dormindo tranquilamente, enquanto há pessoas lá fora morrendo.
Dentro desse círculo de sal eu vejo você pelo espelho de sua alma. Ele está encardido e descascando. Será que você sabe? Será que eu sei?
Quem roubou nossas vidas?
A luz bruxuleante dar forma a suas cicatrizes de guerra, principalmente a sobre o peito esquerdo aquela que eu fiz com uma faca em uma de nossas batalhas particulares.
Guardei a faca com carinho, ela tinha seu sangue, pelos alguma coisa sua eu possuo.
De onde vem essas necessidade de posse? Esse desejo insano de poder.
Você sabe, não sabe? Eu sei que sim.
Sua mão segura a minha em um gesto de proteção. Por que agora e não ontem?
Tantas interrogações em uma única frase, em uma única linha. Tantas interrogações e tão poucas afirmações.
Uma estrela acabou de cair, devagar e decadente.
Podia ser eu, podia ser você.
Mas não fui eu nem você.
Não foi ninguém, apenas uma estrela.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
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