quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

Primeiro dia

Primeiro dia

Lucy, a primeira vista uma menina calada de olhos vagos, a segunda vista uma menina de voz baixa e olhar misterioso, a terceira vista alguém que não tem nada à te dizer ou um lugar para olhar. Por isso o silêncio por isso o olhar distante.
Ainda me lembro a primeira que a vi, estava um dia normal de muito sol e calor, não era primavera e nem tinha folhas de outono caindo na calçada.
Os carros iam e vinham na sua pressa capitalista, em frente a uma avenidade movimentada foi construida uma praça, bem feia e sem recursos diga-se de passagem. Mas é nessa praça sem graça ( riminha boba) que começa minha história,eu passeava por ela, sem ser notada e sem notar ninguém.
Não passou nenhum vento que fizesse as folhas ou o cabelo dela balançar, quando a vi pela primeira vez.
Estava sentada no balanço do parquinho ignorando a placa que dizia :"proibido para maiores de 10 ano, sob pena de multa.".
Parecia alheia de tudo, se balançava devagar quase parando, de vez em quando dava um leve impulso com a ponta dos pés, e junto levantava um montinho insignificante de areia, o balanço gemia, tremia e ia.
O que mais me chamou a atenção, não foi o fato de estar em um balanço as duas da tarde, ou o fato de seu cabelo ser curto demais para uma garota, ou seu belo vestido de marinheira ou o fato de estar segurando uma guia e na ponta estar um coelho cor de caramelo na ponta. O que me chamou a atenção foi seu olhar vago, distante, como se nada ali a importasse, nem os gritos histericos das crianças, ou o casal de namorados sem nem nhum pudor.
O balanço dava para uma movimentada avenida.
Eu a tinha visto qndo a atravesava, logo meus olhos se encontraram nos dela, mas não os dela em mim.
Caminhei em sua direção, mas não queria que ela me visse, se é que ela o iria fazer.
Rumei para um banco escondido, e ali me pus a observar akela sutil criatura, que parecia carregar todas as dores do mundo, como se a guerra no Iraque fosse culpa sua, mesmo ignorando o fato de que o Bush tinha saido, vai ver também ignorava que a brasileira na suiça tinha mentido, talvez ela achasse realmente que a tinha cortado toda.
Mas, não foi o sentimento de pena que tomou meu peito, foi o de ternura de identificação.
Ela carregava todas as dores do mundo e eu a dor.
Seus olhos eram claros, sua iris formava o desenho de uma flor verde e castanha, ela era possuidora de um rosto clássico, feições delicadas bem traçadas, cabelos ruivos, sardas pelo corpo e uma pela alva que faria inveja a mais pura neve.
Seu vestido azul constrastava com o vermelho vivo de seus lábios e cabelos cor de fogo.
como tudo aquilo lhe caía bem, a beleza celestial o olhar distante e seu rosto desprovido de outra expressão a não ser a de dúvida e misteriosa dor.
Quando mais ela se lançava ao abismo, mas vontade eu tinha de lhe segurar a mão e leva-la para um campo de girassóis onde ela poderia sentir toda a dor do nascimento da humanidade, claro se fosse isso que ela anseiasse, afinal talvez ela não goste de carregar toda aquela dor, mas acaso gostar, como vai amar meu campo de girassois vermelhos, ali se camuflaria e seria una com sua dor.
O tempo passou enquanto eu me perdia em devaneios, o dia deu lugar ao crepusculo, e foi lá que ela acordou, ergueu seu corpo na claridade dourada e rumou para fila de carros que se formava, discretamente a segui com o olhar. Sua silhueta foi sumindo, perdendo contornos até se tornar um borrão em minha mente, amanhã talvez a visse, talvez não.
só o novo raiar de dia poderia me trazer a chave para essa respota.

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