sábado, 28 de fevereiro de 2009

O selo e a zebra

As pessoas lá fora não entendem a minha dor, a minha angústia.
Tudo visto de fora é tão normal, tão verde..
Mas será tudo isso normal? Real? Verdadeiro?
Sinceramente... Eu não sei..
Tá tudo muito confuso.
A gata preta em cima da mesa me olha fixamente, ela tenta em fizer algo que não entendo, seus olhos amarelos estão fixos no meio de minha testa. Lentamente, para não assusta-la, levo a mão até a testa delicadamente perscruto todos os poros todo o espaço da minha pele... nada.
Ela continua ali parada me encarando, seu pelo lustroso brilha com a luz artificial da lâmpada da cozinha.
Dou um leve passo para a direita, ela sutilmente me segue com o olhar, endireito o corpo, repito o mesmo movimento agora para a esquerda, ela volta a me seguir, nos encaramos, não olho no olho, mas testa a testa. Continuo a brincadeira por cerca de 10 ou 15 minutos, viajo me perco, tudo vem e vai... vai e não vem. E ela continua a me olhar.
Murmuro alguns xingamentos básicos, meus lábios movem -se de maneira sincronizada desenham cada palavra com muito cuidado, mas o som não sai, ele não quer sair, eu não quero que saia, eu não quero, apesar de desejar ardentemente.
Por breves instantes a mariposa na lâmpada atrai a atenção da gata preta, há no ar o pesado cheiro de instinto da lei da selva, presa e predador se encaram, um irá cair, um irá sobreviver, mas qual.
Me sinto vingada com essa cena, pois analisando todos os ângulos, a gata preta estava sentindo na pele o mesmo que eu: a dúvida a necessidade de saber a qualquer custo, custe o quiser.
Ela havia me acuado em um canto, eu cai na armadilha isso é bem certo, mas eu também tenho instintos.
E com isso deixei o recinto enquanto elas se enfrentavam sai de fininho fui até o banheiro me olhar no espelho, olhei e não vi nada, apenas um alguém que pagou de palhaça para uma criatura inferior na escala evolutiva.
Meu mundo caiu e não fiz nada...
Volto para a cozinha em busca de vingança, cabeça erguida, olhar firme e postura decidida, nada irá me impedir... .
Tudo a minha frente congela, aquela cena vai ficar guardada em minha mente pelo resto de minha vida, e novamente meu mundo cai...
Lá estava ela em cima da pia com a mariposa se debatendo em sua boca, em momento de puro instinto a gata sacode a cabeça passa a pata rapidamente pela boca e espreme a presa por sobre o granito e lhe morde a cabeça e a arranca.
O ar me falta, e imitando a gata, pulo em seu pescoço e a seguro bem firme nos fitamos por longos 30 milésimos de segundos, ela pisca e volta os olhos em direção àquele ponto em minha testa.
A raiva me sobe à cabeça, abro as mão e ela cai, de pé. Se senta e começa seu banho, como se nada tivesse acontecido.
Giro nos calcanhares e vou para a sala, desabo no sofá, encaro o teto, aquela rachadura não estava ali, esfrego os olhos e ela continua ali me encarando...
Novamente murmuro blasfêmias, não sei se era eu ou o quê, mas parecia que todos haviam tirado a noite para me encarar.
Apenas 2 palavras me viam a mente: “É hoje!”
Fechos os olhos e vejo a mim mesma em encarando.
- Ah, não!!! Para mim chega. CHEGA!!! Vocês estão me ouvindo, CHEGA, isso é um ultimato!
Agora sim me sinto mais leve.
A gata subiu em meu colo, apoiou as patas dianteiras em meu peito e lambeu minha testa bem onde ela estava olhando. A seguro de modo que possamos nos olhar melhor, quando faço isso vejo que ela está com a língua de fora e na ponta está um selo, um selo com a cara de uma zebra...
ME ENCARANDO!!!
Pego o selo, passo a mão na testa, parece que no meio está mais baixo, como se algo houvesse sido tirado. Seria o selo? Meço os tamanhos, tudo confere.
Devo estar ficando louca, só pode. Está decidido, estou louca e devo conviver com isso ou seria para isso.
Respiro profundamente conto até 10, pronto estou prepara para a loucura!
Encaro o selo, a zebra pisca para mim, pisco para ela, ela sorri, eu sorrio, ela passa a língua pelos lábios como se fosse dizer algo:
- Boa noite minha jovem!
- Boa noite minha zebra!
- Noite tranqüila não?
-Extremamente tranqüila, faz tempo que não vejo algo assim!!
-Sabe, eu estava pensando... você viu aquele livro na teve?
-Aquele sobre a revolta dos ursinhos de pelúcia no deserto africano?
- Sim Sim, eu achei interessante, mas não entendi por que aquele ursinho rosa foi expulso de casa, você seria capaz de me explicar?
-Lógico, foi assim, ele era preto e um dia acordou rosa, seu pai uma cachorro laranja fosforescente sempre achou que ele era filho do Papai Noel, pois no natal passado ele não estava em casa, e quando viu ele rosa teve certeza que ele era seu filhos legitimo, e mãe decepcionada com esse fato o expulsa de casa...
-Ah, só isso, achei que fosse algo mais interessante.
-Para você ver como é a vida!!
-Que tal uma pipoca?
-Uma boa idéia
Saímos então os dois ( não sei se seria sensato dizer nos duas!!) até a cozinha para prepara uma pipoca.
Pipoca pronta refrigerante gelado, teve ligada, passados cerca de 5 minutos minha mais nova amizade abre a boca não para comer ou beber mas para pronunciar que vai embora, pois tem alguns negócios na Nova Guiné para resolver.
Como ela pôde fazer isso comigo, não depois de ter feito com que que fizesse pipoca, aquela ingrata
-Então boa viagem amiga!!!Vá pela sombra. E cuidado com o lobo mau.
Abro a porta e ela vai, livre como o vento em meus cabelos.
Volto para o sofá o programa de demolição estava uma maravilha. Chego bem na hora em que vão demolir uma pirâmide verde.
Do outro lado da teve estão todos ansiosos, aquela vai ser a primeira pirâmide verde que eles vão demolir, os mais fanáticos fazem um protesto, são contra aquele tipo de profanação. Mas a maioria das pessoas estão ansiosas por aquele espetáculo, o guindaste de demolição se prepara ... a platéia vibra e em uma coro contam: 5...4...3...2...1 VAI!
Catrabum, pedaços verdes voam pelos ares, o narrador está em êxtase.
Todo o tempo eu fico pensando...

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