quarta-feira, 3 de junho de 2009

Pandora


Eu que me estilhaço em ti,
em ti me estilhaço
estilhaço-te
eu que sou externa quebrada
que tenho mundos possíveis e imcopossiveis
que me desfaço ao menor toque externo
eu que protejo minhas faces espelhadas com uma fina camada de tecido envelhecido
eu que amo meu mundo, minhas dores e amores
Espelhos refletem minha realidade fragmentada
cada pedaço de um eu possível
cada fragmento de uma memoria inexistente e existente em outras áreas do cérebro
eu que degusto as areias de ampulhetas de sangue
eu que venero deuses de plástico e alumínio
eu que escondo personas
desejo
mortes
assassinatos
eu que te vejo em meus atos
eu que assim falida e quebrada
imagino cenas de contos de fadas
onde meu invólucro se faz personagem principal
de cenas inventadas
e contadas por pessoas aleatórias e por mim providas de nexo
Acasos de estrelas decadentes
que insistem em fazer surgir momentos fractais em minhas esquinas
meus paises distantes e próximos
sempre cercada por uma eterna dicotomia paradoxal
eu que fotografo meus muitos eus com cameras de algodão doce
eu que filmo as vidas que pude ter tido
e que tenho
e destenho
que jogo no lixo
e reciclo
eu que tomo comprimidos de tempo comprimido
que deixo a vista fechaduras trancadas
eu que não me revelo
que não falo de mim
mas sim de minhas vidas alternativas
de meus muitos eus
minhas muitas verdades
meus muitos olhares
eu que contenho multidões
que atuo com meu duo
que faço rimas pobres
sobre príncipes que me resgataram em uma realidade paralela
eu que matei
ressuscitei
eu que fugi com o circo
que amei homens
que odiei mulheres
que odiei homens
que amei mulheres
que amei mulheres
eu que roubei
eu que preguei
que costurei
que construi
que pintei
que ensinei
eu
apenas um eu
externo fragmentada
em cacos acetinados de realidades diferente
eu que me vejo em cada rosto
em cada olhar
em cada página virada e retorcida
em cada esquina
em cada lágrima
em cada parto
em cada alasão
em cada beco
eu que sou muitas
desprovidas de mim

Um comentário:

Nata! disse...

desprovida proviniente.
profana e santa.
lagrimas do ceu da tua boca!
saudades