
Hoje em praça pública, subo no meu tablado e grito para os seres ausentes de alma que por aqui passam, eu grito a plenos pulmões enquanto fumo um cigarro de filtro vermelho
"Desculpa foi engano, eu não te amo mais
As flores que eram rosas, vi eram pura anemia
e dos girassois, restaram apenas cinzas.
De cigarros de cereja, da cerveja gelada, do bar lotado.
De tudo ficou o vazio, o cinzeiro cheio, o copo vazio, as pessoas vomitando nas esquinas.
É meu amor, a vida fez questão de passar por mim e me deixar um presente mal embrulhado, meio sujo meio rasgado.
Talvez você não consiga escutar essas palavras escorridas de meus olhos.
Mas antes que você vomite minhas palavras ácidas, me dê a mão e cante comigo uma última canção de amor.
Vamos gritar para os astros como nosso amor jamais morrerá.
Só por hoje ele não morrerá...
Porém amanhã é outro dia, e ele estara na cova mais profunda de minha alma, sem flores ou choros.
Porém sempre me contradigo é possível que no próximo outono estaremos na praça vendo um filme mudo animado por uma vitrola velha. E no café da manhã estaremos comendo corações alheios. E nos perguntando onde foi parar aquele isqueiro de prata.
Talvez nós morreremos talvez não, vamos deixar aenas o gelo gelar."
Terminado meu monologo, desço dou um último trago, jogo a bituca longe e viro em uma esquina de minha alma, deixando meu alter ego destroçado chorando em meio aos meus outros eu...

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